Atividade acaricida do extrato hidroetanólico foliar de Xylopia aromatica (Lam.) Mart. sobre Tetranychus urticae Koch.
DOI:
https://doi.org/10.5016/1984-5529.2026.v54.1493Palavras-chave:
ácaro rajado, compostos bioativos, controle de pragas, pimenta de macacoResumo
Vários são os problemas decorrentes do uso de produtos sintéticos para o controle de pragas no mundo, necessitando encontrar alternativas a estes produtos, como o uso extratos vegetais. Os extratos vegetais contêm elevada quantidade de metabólitos secundários, que podem apresentar bioatividade isoladamente ou sinergicamente. O objetivo deste estudo foi avaliar a ação da diluição do extrato hidroetanólico foliar de Xylopia aromatica no controle de Tetranychus urticae. Utilizaram-se 20 g de folhas secas moídas de X. aromatica em 80 g de etanol a 70% para a produção do extrato bruto. O experimento teve sete tratamentos: cinco diluições do extrato (0, 25, 50, 75 e 100%) e dois controles: etanol 70%, como controle negativo, e abamectina, como controle positivo. Utilizaram-se placas de Petri contendo algodão umedecido e disco de folha de feijão-de-porco (Canavalia ensiformis). Foram utilizadas 10 repetições (placas) por diluição, com 5 fêmeas de ácaro por disco, para avaliar a mortalidade, a repelência e a oviposição. A regressão apresentou coeficientes de determinação ajustados ao modelo linear de 0,9447 e 0,8111 para mortalidade e oviposição, respectivamente. As porcentagens de mortalidade corrigidas em relação à diluição de 0% (água deionizada) e ao etanol 70% para as diluições de 25, 50, 75 e 100% e à abamectina foram de 29, 63, 92, 94 e 96%, respectivamente. A menor redução de oviposição ocorreu na maior diluição (25%), com 57%, e a maior com a abamectina (94%). Nesse estudo, as diluições utilizadas apresentaram resultados positivos, constatando-se que não há diferença entre o uso do extrato hidroetanólico de folhas de X. aromatica bruto e o uso de 75% desse extrato.
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